Transformação Digital, indústria 4.0, computação em nuvem, Internet das Coisas (IoT), inteligência artificial. De uns tempos para cá, o mundo corporativo foi mergulhado em uma sucessão de novas eras pautadas pelo avanço das novas tecnologias e o fortalecimento de tendências.

Com a inesperada chegada da Covid-19, as empresas se sentiram como se tivessem sido enfiadas em um acelerador de partículas, tendo que se reinventar rapidamente e avançar em alta velocidade em eras que, não fosse a pandemia, provavelmente se consolidariam apenas ao longo dos próximos anos.

Negócios de todos os setores tiveram que intensificar seus planos para digitalizar suas operações. De um dia pro outro, mais de 7 milhões de brasileiros entraram na rede para comprar. As vendas on-line cresceram 47% de janeiro a julho, segundo a E-bit/Nielsen. O varejo teve de avançar 5 anos em 5 meses. Quem não tinha uma operação de e-commerce teve de correr para não fechar as portas.

Esse novo cenário em que o digital se tornou o novo normal trouxe uma segunda pandemia: a de ataques virtuais.  Com mais gente em casa sem as proteções que, em geral, as redes corporativas possuem, a “superfície” de ataque aumentou consideravelmente. Segundo a Fortinet, o Brasil sofreu mais de 15 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos só no segundo trimestre.

O maior problema dos ataques virtuais é se atingirem a base de dados de uma empresa. De acordo com pesquisa feita pela IBM, contas comprometidas de funcionários levaram às violações de dados que custaram mais caro às empresas no ano de 2019.

Junte-se a isso o fato de que esse ano entrou em vigor pra valer a Lei Geral de Proteção e Dados, que torna mais rigorosa a regulamentação sobre privacidade das informações dos clientes e consumidores, a tal ponto de recomendar que se avalie a contratação de um especialista em proteção de dados (DPO). Vazamentos eventuais podem custar caro não apenas à imagem, como também aos cofres das empresas.

Então, por um lado temos uma pressão conjuntural de migração para ambientes on-line e em nuvem o mais rápido possível. E, por outro, um aumento dos riscos em função da menor proteção do home office e do aumento dos ciberataques.

É um quadro bastante delicado que exige contar com o suporte de profissionais especialistas em cloud e segurança.

Migração para Nuvem

A computação em nuvem começou a ganhar maior adesão a partir de 2010, quando Amazon, Google e Microsoft lançaram suas divisões voltadas para esse tipo de serviço. Ao longo desses dez anos, os aplicativos corporativos estão migrando do conceito de “habilitado para nuvem” (pode até funcionar nela) para “nativo na nuvem” (feito exclusivamente para ela).

Um estudo do Gartner Group, de março de 2020, previa para o cenário global que 75% de grandes empresas implementarão pelo menos uma plataforma de integração híbrida com capacidade para múltiplos provedores de nuvem até 2021. Em 2018, sinal dos novos tempos, este número era de 25%.

A principal razão apontada pela maioria das empresas para abraçar a tendência é econômica, reduzindo os custos ao mover dados, aplicativos, desenvolvimento e outros componentes de TI para serviços baseados em nuvem ao invés de lotados nas dependências da empresa (on premises).

Mas isso não pode ser visto só como puro modismo. O processo precisa ser encarado como uma jornada na qual é importante definir as melhores estratégias para não aumentar a exposição da empresa a riscos num ano em que erros podem sair caros demais ou até serem fatais para integridade do negócio.

Não é incomum que as empresas resolvam jogar na nuvem uma funcionalidade, ou seja um software ou serviço, mas se descuidem da infraestrutura, que é a base para um processo de digitalização bem-sucedido.

Antes de mais nada, o primeiro passo essencial é fazer um diagnóstico. A infraestrutura precisa ser robusta e escalável ou a empresa pode terminar contratando serviços subdimensionados para seu uso.

Se os aplicativos armazenarem dados muito confidenciais ou se a sua tecnologia for proprietária, talvez não possam ser colocados na nuvem. É uma questão que exige uma análise jurídica cuidadosa sobre que partes podem ficar e os requisitos de conformidade do seu provedor.

São muitas questões em jogo. Em tecnologia não existe um único gabarito definitivo. Há várias abordagens para um mesmo desafio. Uma boa jornada para a computação em nuvem vai depender do tipo de negócio, da maturidade e característica das aplicações e também da capacidade de investimento.

Por isso que os cloud brokers têm ganho espaço em todo o mundo, um setor que cresce anualmente a 17,3% (CAGR) e deve atingir US$ 15 bilhões em 2023. Eles funcionam como um intermediário entre a empresa e o(s) provedor(es), gerenciando o uso, desempenho e entrega dos serviços.

Esse é um momento estratégico com pouco espaço para erros. Um cloud broker pode garantir mais flexibilidade de recursos, gerenciamento integrado e mais eficiente e que, sobretudo, seja desenhado sob medida para as necessidades de cada negócio.

Já pensou em contratar um?

Marco Lorena, CEO da Think about IT.